Muito tempo, muito tempo passou até hoje, cada vez mais distantes as minhas filhas, não sei qual o rumo para alterar o actual estado das coisas, resta-me esperar. Ao longo dos últimos tempos os contactos são quase nulos ou inexistentes, mas sentia que prolongar os contactos forçados não era benéfico nem saudável para ninguém. Uns meses após a minha ultima publicação, recebi do tribunal de circulo um recurso da mãe a pedir o pagamento das custas do processo em partes iguais, mesmo depois de não cooperar com o tribunal de menores e de ter sido essa a causa de lhe serem imputadas as custas, o tribunal de circulo concordou, sendo então a seguinte situação: pedi ajuda ao tribunal de menores para ver as minhas filhas, que era no fundo o cumprimento da decisão no acordo de divórcio, o tribunal não conseguiu fazer cumprir a lei por falta de meios ou mecanismos, condenou a mãe por conduta pouco correcta, (foi este tribunal que acompanhou o processo e a equipa multidisciplinar da segurança social EMAT), mas depois uns outros tipos que nunca ouviram qualquer uma das partes ou motivações alteram a decisão (sentença); não interpus recurso, não era dinheiro a minha motivação mas sim o convívio com as minhas filhas, paguei, senti-me apunhalado pelas costas e decidi, alterar a postura, não tem valido a pena lutar tanto com tanta intensidade, pois não tem resultado.Visitava regularmente as minhas filhas na porta de casa, mas era sempre tenso, sentia que me desrespeitavam, até influenciadas pela mãe e avó, não quero viver esta violência, não quero que a vivam, decidi dar um tempo, forcei a separação mais longa, vou tentando saber se estão bem mesmo que seja muito difícil obter informações.
Nos últimos meses a mãe foi despedida da mesma empresa onde trabalho, não comento nem quero saber de pormenores, terá de ser ela própria a encontrar as soluções para a sua vida, mantenho-me apenas atento, contactei o cpcj a informar da situação, pois pessoalmente nada posso fazer.
Já contactei algumas vezes a minha filha mais velha num chat duma rede social, através de sms, nada mais lhe digo para além daquilo que sinto...saudades...carinho...etc.
Vou manter-me assim, á distância á espera de um pequeno sinal, nunca irei esquecer que sou pai, pago religiosamente a pensão de alimentos que me foi imputada, e se não têm um pouco mais não me sinto culpado pois por diversas vezes tentei perceber o que podiam precisar, mas fazem sempre muita rejeição a tudo o que possa vir da minha parte, não posso obrigar, mas sabem que estou sempre disponível. Actualmente a Rita tem 16 anos e a Inês 11.
Todo este processo foi uma enorme parvoíce, nunca quis forçar nada mas hoje arrependo-me, quis ser benevolente, pensei primeiro nas meninas e deixei que não fosse cumprido o acordo de divórcio, o tempo não volta atrás, mas se voltasse faria tudo diferente, forçaria ao cumprimento do acordo, enfim a falta de experiência e um coração grande demais levaram a má decisão.
Não posso alterar, oactual estado de coisa apenas porque o quero, mas na minha mente mando eu,e posso lembrar do que foi, do que já não é, do que desejo que possa ainda ser.